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O estaleiro do Capetinha!

Começa a hora da verdade! Montar o dingue! :mrgreen:

O meu estaleiro é um quartinho cheio de tralhas gentilmente cedido por meu irmão e cunhada, cuja laje pinga quando chove e é quente como o inferno quando faz sol. Mas é meu cantinho. :) É a casa que meu avós moravam então existem algumas boas memórias no lugar (além de preencher os requisitos históricos mínimos para um livro :twisted: ), embora eu deva admitir que a partir da adolescência nunca fui um neto presente; sempre digo nesse blog que estou longe, muito longe, de ser santo.

Memórias à parte, está na hora de começar. Vamos precisar de uma bancada, mas qual? Não tenho nenhuma. :? Uma bancada de marceneiro pronta custa mais de 300 latinhas (depois, com a prática, descobre-se que uma bancada de marceneiro não prestaria para o serviço e seria dinheiro jogado fora), comprar uma chapa de compensado de uns 10mm para fazer uma? Só o frete para entregar custa mais que a própria chapa. A idéia de usar uma das portas largadas no quartinho foi da Débora, juro que nem me passou pela cabeça usá-la! 8O A Débora, que está sempre certa e sempre prática tem ajudado muito! Além de romance ser outro requisito mínimo para um livro. :D

Porta-bancada nos cavaletes, é chegada a hora de começar a montar a quina-longarina, que é a parte mãe do barquinho, é nela que a maioria dos outros componentes se juntam.

Até a longarina, então! :mrgreen:

Compra das ripas de cedro

Enquanto se corta o compensado naval, chega o momento de pensar em como encomendar o cedro para a montagem do dingue, são ripas de 4 formatos diferentes e você precisa medir tudo para a madeireira “aparelhar” a prancha.

Aí foi uma tarde inteira sentado na cadeira com uma cerveja na mão e uma calculadora na outra, lendo o projeto e somando todas as medidas, toquinhos de centímetros viram ripas de metros de diferentes formatos. Eu cheguei as seguintes medidas:

- 12 m de cedro perfil 2,5 x 2,5 cm – cortados em sarrafos de 2 m
- 3 m de cedro perfil triangular 7,2 cm de base e altura de 3 cm
- Perfis de cedro de 6 x 2,5 cm: 2 sarrafos de 1,40 m e 2 sarrafos de 1,50 m
- 1,50 m de cedro perfil 6×5 cm

No início fiquei meio preocupado com o corte triangular porquê o vendedor disse que era “meio complicado” fazer isso mas fiquei na minha e esperei o “não dá” definitivo antes de qualquer decisão. Na verdade, a única dificuldade que tive foi o tamanho da fila; uma encomenda para um dingue de 10 pés não tem pressa nenhuma diante da de um Multichine 28. :mrgreen: Tive que esperar 2 semanas para ter a madeira em mãos. :?

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Cortando o compensado

Bão! Depois de dias colando carbono e riscando madeira, hora do… Massacre da Tico-tico! :mrgreen:

Aqui o jogo é rápido, sem muitos segredos. Uma boa extensão, óculos de segurança, máscara (se tiver, eu não usei, apesar da rinite). Valem as regras de segurança no uso de qualquer ferramenta elétrica, regras que eu nem sempre segui mas… isso não é razão para que você não as siga. :D Estão no manual de instruções.

Eu nunca tinha usado uma tico-tico antes e fui tudo muito tranquilo. A regra de ouro é: Não crie intimidade com a ferramenta! Acidentes acontecem quando se pensa que já está um craque. :? Você começa a aproximar o rosto e as mãos e daí para um acidente só se precisa de um soluço. :evil:

Não há necessidade de gastar os tubos com uma tico-tico ultra sofisticada, eu uso uma Bosch Skill de R$ 99,00 e ela tem dado conta do recado muitíssimo bem. Homens tem uma propensão genética a comprar mais ferramentas do que o necessário; é mais ou menos como o que as mulheres tem com roupas. :mrgreen:

Como eu não tenho bancada, fixava as chapas sobre 4 cavaletes, posicionando-os em lugares onde a serra poderia passar sem cortá-los (claro que dei umas beliscadas :x ) e mudava-os de lugar conforme a necessidade, só isso. A maior dificuldade é quando você se depara com cantos que a tico-tico não consegue entrar, nesse caso só há duas soluções, traçar um loooongo caminho até onde você precisa apontar a serra ou, mais prático, abrir um buraco com a furadeira e começar a cortar daí. 8)

Ao cortar, não adianta forçar a serra contra a madeira, apenas empurre-a com firmeza e segurança, o compensando não é inteiramente uniforme então haverá partes mais moles e mais duras. É melhor se orientar pelo pino guia ao invés de olhar diretamente para a serra, assim você estará olhando “para frente” e fará com que o corte fique mais “retinho”, o pino guia está lá pra isso, use-o. É chato dizer isso mas haverá momentos em que será inevitável ter a mão livre próxima da serra (afinal eu não estou numa fábrica com todo o EPI que a legislação exige, estou cortando num quintal desnivelado, sobre 4 cavaletes) e quando isso acontecer, máxima atenção ou seus dedos podem ir embora. A gente só sente falta quando perde, não é mesmo? :mrgreen:

Ah! Sabe todo aquele trabalho que falei sobre estudar e maximizar os cortes? É aqui que receberá toda a recompensa. Pegue uma cerveja pois você mereceu! 8)

Desculpem se parece estúpido escrever tanto sobre algo tão banal mas a idéia é passar as experiências para quem está começando tudo do zero, como eu. Estou longe de ser um Sérgio Beck mas um dia eu chego lá.

Um último comentário, essas fotos são de quando comecei a cortar, reparem a mão livre muito próxima e os chinelos; tudo que eu posso dizer a respeito é que estou muito mais esperto hoje. 8)

E vamos às compras!

Esse sábado vai ser meio “sacoleiro”. :mrgreen:

Procurar as tubulações para fazer o pé do mastro e mais alguns grampos C. Ah! E uma lona para devolver a que estou emprestando da minha cunhada.

Eu pensei em comprar uma parafusadeira para fixar as peças que são coladas, pois durante o tempo de cura, tenho usado somente os grampos C ou pregos. Porém, decidi que vou só no prego mesmo, pois já estou usando o limite do banco e não dá pra gastar dinheiro com essas coisas. Vai ter que ser no Sevirol. :mrgreen:

Ontem eu cancelei a matrícula do curso de eletricidade de embarcações. É uma pena mas juntou-se a fome com a vontade de comer; eu já estava meio desestimulado devido a algumas coisas que aconteceram no curso, junto com correria e custos de se ir pra Santos 2 vezes por semana, mais o trabalho que já dá sinais de me exigir algumas esticadas. Finou-se!

O lado bom da coisa é que acabou o sofrimento do busão. Pessoas conversando alto, falando ao celular, roncando (aqui temos um exemplo de Justiça Divina; pois eu ronco feito um trator :mrgreen: ), querendo puxar papo, a Anchieta sempre congestionada ou com algum acidente. Ontem inclusive foi como uma despedida: na ida, o senhor do meu lado não parava de se mexer, uma garota passou o tempo inteiro no celular discutindo com uma amiga, Anchieta parada, o cara atrás de mim não parava de batucar. Na volta um hispânico ficou a viagem inteira no celular e no finalzinho a garota atrás de mim também decide atacar com uma longa ligação. Enfim: PAZ! :)

Eu tô começando a achar que celular é uma praga moderna. No metrô se não tem ninguém gritando numa ligação, tem alguém ouvindo música sem fone. Em ônibus a mesmíssima coisa, já peguei busão com 4 pessoas ouvindo coisas diferentes ao mesmo tempo; uma mistura louca de futebol com sertaneja e pagode . O camarada do futebol inclusive sacudia o pobre aparelho dizendo que “esse diacho num aumenta”. Um tormento! Tô começando a pensar em ajustar o meu Jeep pra uso diário e mandar a ecologia pras favas.

Juro! Não falta muito para que eu vire um ensandecido arrancando celulares das mãos das pessoas pra tacá-los no chão. Ô povo mal educado. :evil:

Terminei o curso de vela básico: princípios de orientação, montagem (com 2 nós), bordo, jibe, contra-vento, popa. Faltou aprender a desvirar mas acredito que não faltarão oportunidades para isso. :D

Agora preciso aprender: princípios de orientação, montagem (com 2 nós), bordo, jibe, contra-vento, popa. :mrgreen: Fala sério né? Me poupe! Um garoto pode até sair de lá arrepiando mas um cara de quase 40, gordo, quase-hipertenso e curtido de cachaça vai sair de lá se achando um Scheidt? :twisted:

Preciso treinar, mas a única forma de se fazer isso é velejando mas antes preciso desesperadamente recuperar o tempo perdido com a construção do Capetinha! Eu quase arrisco a compra de um Holder 12 que apareceu mas felizmente quando entrei em contato já havia sido vendido, pois realmente isso iria dividir meu tempo e aumentar meus custos.

Entre velejar e lixar… A prioridade agora é lixar. :mrgreen: Vou inclusive começar a trabalhar de noite no “estaleirinho”, quantos dias por semana é que ainda não sei.

Plantas impressas? Maravilha!
Agora como transferir os desenhos para as chapas de compensado naval? :?

Sem experiência nenhuma… Fiz uma pesquisa na internet mas eu realmente não encontrei nada utilizável e só consegui pensar numa coisa: colar papel carbono no verso da planta e riscar por cima da madeira. :) Então, peguei as folhas de carbono, cortei-as em tiras de 2 cm de largura e colei-as acompanhando os traços. A primeira tentativa foi com cola spray, fazia mais meleca que qualquer outra coisa e troquei por cola em bastão. Depois foi só riscar.

Aproveitei ainda para otimizar mais os cortes, como disse anteriormente no post da impressão. Fosse para produção em série, eu deveria usar um laminado para confeccionar os gabaritos, mas como a licença é única, nem me preocupei com isso. Cortava o papel para estudar as sobreposições, prendia com fita no compensado e mandava ver na caneta. :mrgreen:

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Estaleiro às moscas

Estamos parados com as obras, um desastre! Tenho até pensado em mudar pra casa de meu irmão para aproveitar toda hora disponível.

De novidades, só que toda a madeira está comprada, alguma cola pra começar a montar. Faltam algumas coisas mas o que tenho me permite começar; e que decidi vender TODOS os meus livros. Manterei somente os técnicos, inclusive a 1ª ediçao que tenho do “Cem dias” que o André me deu e que vou cobrar uma fortuna. :mrgreen:

Chupa Maradona!

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Esse feriado as coisas estão paradas pois não consegui encomendar as ripas a tempo. O Estaleiro Capeta! está programado para iniciar a montagem da longarina semana que vem. Encomendei as ripas de cedro, cola epóxi e selador, mas tudo na mais completa ignorância a respeito de marcas e qualidades, fui no automático, me orientando pelas recomendações do projeto e da madeireira. :?

Nesse meio tempo vou curtir a vitória do Brasil contra a Argentina: Chupa Dieguito! E a virada do São Paulo, claro. :mrgreen:

Impressão das plantas

Bom! Como prometido, vamos lá para um processo mais descritivo das coisas.

Começando pela impressão das plantas em papel, para transferir os desenhos para a madeira, que foi um pouquinho mais complicado do que eu poderia supor.
As plantas estão em escala 1/10, em A3. Portanto basta ampliá-las na mesma proporção.… Basta? :roll: Bom, depende, não é bem assim. Elas estão no formato jpeg e se você não tem conhecimentos na área gráfica (como eu), vai precisar de ajuda do bureau escolhido para fazer as ampliações e mudar alguns posicionamentos que lhe permitirão economizar no papel e na madeira.
Se quiser fazer você mesmo, hoje em dia existem programas editores de imagens gratuitos em web ou mesmo para baixar, faça uma pesquisa sobre o assunto. No meu caso, eu criei num programa de paginação folhas no tamanho exato da prancha (2,20m x 1,60m) e apliquei as plantas, ampliando-as até o tamanho da página. Depois gerei um PDF. Mas pode-se fazer tudo num só programa editor de imagens, Photoshop, por exemplo.

Lembre-se que ao tornar-se fornecedor do projeto do Eduardo e do Rommel, você recebe arquivos em CAD junto com licença de construção. O arquivos do site são gratuitos e a licença de produção é para uso privado apenas.

Pode ser mais fácil para outros mas eu tive realmente alguma dificuldade para imprimir as pranchas devido ao tamanho e falta de treinamento dos fornecedores. Basta eu ligar dizendo a largura do papel para os funcionários devolverem: “Nossa plotter só tem 90cm de boca”. Só de raiva eu procurei uma plotter maior mas ficava muito caro e num papel muito grosso. Acabei imprimindo na EPS (vide lista de fornecedores), onde plotaram as pranchas divididas em duas e depois fizeram a emenda. Fácil, não? Pois te garanto que nenhum dos atendentes dessas gráficas rápidas que liguei pensava nisso. A única pena nisso tudo foi só tinha papel 90g/m² para imprimir um coisa que seria jogada fora depois.

Antes de imprimir pense realmente em como vai cortar, onde as peças podem se encaixar de modo que você corte 2 lados de duas peças diferentes com uma só passagem de serra. Na hora de serrar você ficará surpreso em como agilizará o processo. Essa ficha só foi me cair depois.
As sobreposições de linhas economizarão muito trabalho. Enquanto eu transferia os desenhos para as pranchas eu aproveitava mais as laterais da madeira e fazia algumas sobreposições, mas depois que comecei a cortar percebi o quando dá pra ganhar de tempo realmente. Fica a dica, vale muito a pena passar um dia brincando de quebra-cabeça.

A próxima: Transferência do desenho para o compensado. 8)

ps.: Atenção máxima com as medidas! Eu percebi ao realizar algumas medições que a planta impressa ficou ligeiramente maior que o projeto. Então peça para o bureau, com o projeto em mãos, calcular a diferença de proporção.

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